Livro Caxambu do Dr. Henrique Monat – 1894

PROFESSOR Dr. HENRIQUE ALEXANDRE MONAT

Texto publicado em 14 de Junho de 1955

 Centenário do nascimento do ilustre médico brasileiro – Homenagem, hoje, da Sociedade de Medicina e Cirurgia – Dados biográficos.

A Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro reúne-se hoje, terça-feira, 14, às 21 horas, em sua sede, á Avenida Mem de Sá, 197, para comemorar o centenário de nascimento do professor Henrique Alexandre Monat, um dos seus fundadores. Em nome da Sociedade, discursará o professor Ugo Pinheiro Guimarães, devendo falar, em nome da família do homenageado, o professor Olympio da Fonseca.

O professor Henrique Alexandre Monat nasceu na Bahia, na cidade do Salvador, a 6 de Junho de 1855 e faleceu a 3 de Fevereiro de 1903, no Rio. Era filho de Henri Honoré Monat, nascido em França, e de Flávia de Borja Castro Monat, originária da Bahia, irmã do ilustre engenheiro, professor e diretor da antiga Escola Central do Rio de Janeiro, conselheiro Borja Castro. Bacharelou-se em Paris, no Liceu Bonaparte, tendo feito todos os estudos naquela cidade, desde a primeira infância. Iniciou os estudos médicos na Bahia, terminando no Rio de Janeiro e sendo-lhe colado grau em 1879 em Salvador, com toda a turma. Faziam parte deste grupo os Drs. Francisco de Castro, Ismael da Rocha, Vicente de Souza, Freitas Henrique e muitos outros portadores de nomes ilustres.

Henrique Alexandre Monat fez onze concursos para a Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, tendo sempre alcançado o primeiro lugar. Nesta Faculdade exerceu o cargo de preparador de Anatomia Descritiva. Fez concurso para a cadeira de Frances do Colégio Pedro II, então Ginásio Nacional, durante o governo Campos Salles. Exerceu a cadeira durante poucos anos, vindo a falecer em 3 de Fevereiro de 1903, aos 47 anos. Foi nomeado para esta cadeira a 10 de Abril de 1900. Foi membro da Academia Nacional de Medicina.

Dentre os trabalhos que publicou, são mais conhecidos do grande público o “ Método Prático de Frances ” , “ Caxambu ” , e “ Estudo Sobre Sinônimos, Parônimos e Antônimos ” . No campo da Medicina, podemos citar as seguintes publicações: “ Das Gangrenas ” , “ Anatomia Patológica ” , “ Histologia dos Epitélios ” , “ Réplica Sobre o Novo Uretrônomo do Dr. Bulhões ” , “ Tratamento Radical da Hidrocele ” ( 1889, Brasil-Médico, pp. 19 e 113 ), “ Tratamento dos Estreitamentos da Uretra ” ( 1890 ), Brasil-Médico, p. 390, “ Cálculo Renal ” , “ Migração pela Massagem ” , “ Litotricia “ ( 1891, Brasil-Médico, p. 78 ), “ Duas Pedras na Bexiga, uma porção prostática da Uretra ” , “ Talha Hipogástrica ”  ( 1891, Brasil-Médico, p. 365 ), “ Cistite – Fístulas Urinárias – Talha – Extirpação das Fístulas ” ( 1892, Brasil-Médico, ano 6, p. 33 ), “ Moléstias das vias urinárias – Cistite Tuberculosa – Cistotomia ”  ( 1892, Brasil-Médico, ano 6, p. 2 ), “ Comunicação à Academia Nacional de Medicina Sobre uma Cura de Talha Hipogástrica e de Nefrectômia ” ( 1892, Brasil-Médico, ano 4, p. 185 ), “ A propósito do projeto da criação de uma cadeira de clínica das moléstias dos órgãos gênito-urinários ” ( 1892, Gazeta Médica da Bahia, ano 29, p. 316 ), “ Da eletrólise nos estreitamentos da uretra ”  ( 1882 / 3, Brasil-Médico, p. 34 ), “ Da eletrólise nos estreitamentos da uretra – Resposta do Dr. Costa Lobo ”.

Em 1886 foi fundador da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Número coluna XLIV número 1 – julho, 1930, dos Anais Brasileiros de Medicina e Cirurgia, encontra-se todo o histórico de sua fundação.

Foi, durante algum tempo, redator da Revista da Sociedade da Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Existe de seu invento um aparelho para operações da uretra, o qual foi largamente usado, inclusive no Hospital Necker, em Paris. Na questão Castro Malta foi convidado para perito pelo jornal “ O País ”, do qual foi assíduo colaborador em questões científicas. A primeira tentativa do estabelecimento entre nós de um serviço de identificação data 1889. Foi o Dr. Henrique Monat quem sugeriu a sua criação, logo no inicio do governo republicano, durante a primeira administração Sampaio Ferraz. Mais tarde, voltou por duas vezes à França, onde fez estudos de aperfeiçoamento.

Casou-se com D. Maria del Carmen Nolle Torre Monat, em Santos. Das filhas do casal, Carmen Monat Jardim ( falecida em 1951 ) foi casada com o Dr. Francisco Jardim, secretário-geral, aposentado, da Procuradoria do Distrito Federal, de cujo casamento nasceram duas filhas: Maria Luiza e Celeste Maria; aquela, casada com o Dr. Edgar de Amarante, engenheiro civil e eletricista, chefe da Divisão de Estudos Especiais da Light e professor da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e a segunda com o Dr. Ruy Gomes de Moraes, médico, professor catedrático da Faculdade Nacional de Farmácia da Universidade do Brasil e da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, tendo esse casal seis filhos menores: Lúcia, Heloísa, Eduardo, Miriam, Paulo e Carmen. A primeira filha viva do Dr. Monat é a Srta. Ida Helena Monat, solteira, funcionária aposentada do Ministério da Fazenda; a segunda, Adélia Olympia Monat da Fonseca, é casada com o Dr. Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, professor catedrático da Faculdade Nacional de Medicina e antigo diretor do Instituto Oswaldo Cruz. São filhos deste casal Olympio Henrique Monat da Fonseca, funcionário do Patrimônio Histórico e Artístico do Ministério da Educação e Cultura, casado com D. Maria Stela de Faria Monat da Fonseca, sendo filha desse casal a menor Mônica e Henrique Olympio Monat da Fonseca, médico, solteiro. A terceira filha viva do Dr. H. Monat e a Sra. Helena Ida Monat de Vasconcellos, funcionária aposentada do Ministério da Agricultura, esposa do Dr. Felix da Cunha Vasconcellos, do quadro de oficiais administrativos do Ministério da Fazenda, sendo filho do casal o menor Manoel Henrique.

 

SESSÃO NA ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA

 Em homenagem ao centenário do professor Henrique Monat, a Academia Nacional de Medicina, realizará sessão solene na próxima quinta-feira, dia 16, às 21 horas. Falará o professor Costa Junior, orador oficial da Academia, que fará uma síntese da vida e da obra do ilustre professor Monat, um dos pioneiros da Urologia em nosso país.

Associação Médica em Revista

Edição FEV / 2006

SMCRJ completa 120 anos

A Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (SMCRJ), filiada da SOMERJ na capital, completou 120 anos, no dia 14 de fevereiro. O Presidente da SOMERJ, Carlindo Machado e Silva Filho, esteve presente no coquetel de comemoração e na reunião do Conselho Superior da Sociedade.

De acordo com o Presidente da SMCRJ, Celso Ramos Ferreira Filho, para comemorar a data, durante o ano todo, acontecerão várias atividades. A primeira delas será o 1º Simpósio da História da Medicina e da Cirurgia no Rio de Janeiro, previsto para ser realizado em abril.

– Depois, vamos promover um outro evento para discutir a relação entre Medicina e mídia. Também está programado um simpósio sobre ensino médico, que abordará principalmente residência médica e internato – afirmou.

A atual diretoria da SMCRJ, acrescentou Celso Ramos, tem a sua atuação voltada para três pilares: tradição, qualidade e modernidade. Vamos nos basear na nossa tradição para fazer propostas modernas para a discussão dos assuntos da área de saúde, tanto de interesse dos médicos, quanto da população, com qualidade, o que sempre foi uma marca da nossa sociedade. Vamos usar a experiência de 120 anos para debater, dentro do município do Rio de Janeiro, os grandes aspectos políticos da assistência médica e da Medicina como um todo.

Dentre as entidades médicas do século XIX, destacaram-se no Rio de Janeiro a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (SMRJ), criada em 1829, e a Sociedade Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, fundada em 1886. A SMRJ sofreu alterações sucessivas dando origem à Academia Imperial de Medicina, em 1835, e à Academia Nacional de Medicina, em 1889, existente até hoje. Já a SMCRJ apresenta atualmente a mesma denominação da sua fundação, apesar das mudanças em seus estatutos.

Embora as duas entidades tenham expressado o mesmo objetivo principal, de organizar a categoria médica em torno das discussões específicas da saúde, a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro mostrou uma particularidade em sua organização. Diferentemente da SMRJ, que exigia de seus membros uma referência institucional importante e uma atuação pública reconhecida como condições para ingresso no quadro de associados, a SMCRJ buscou ampliar a participação dos médicos na entidade, expandindo a idéia de associação para além do universo acadêmico e estimulando uma interação mais efetiva da academia médica com as questões sociais da saúde.

– A SMCRJ começou a sua atuação com uma visão política, já que era uma entidade abolicionista. Até a década de 30, foram debatidos na Sociedade os grandes problemas de saúde pública. A SMCRJ promoveu o 1º Congresso de Medicina do Brasil, evento tão relevante que fez a primeira descrição de dengue no país – enfatizou Celso Ramos.

A Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, inaugurada em 14 de fevereiro de 1886, no prédio nº 77 da Rua do Ouvidor, pretendia ter o maior número possível de médicos associados. Inicialmente instalada no Liceu de Artes e Ofícios, a SMCRJ foi criada pelos médicos Lucas Antônio de Oliveira Catta Preta, Hilário Soares de Gouvêa, Henrique Alexandre Monat e Marcos Cavalcante, com o intuito de democratizar a comunidade médica. Com essa iniciativa, a entidade foi considerada uma Sociedade da República, abolindo os critérios elitistas de integração dos médicos.

Além da realização de estudos, organizados pelas comissões de medicina, cirurgia, farmácia e polícia, a SMCRJ passou a priorizar a organização de congressos. O 1º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia, realizado em 1888, ratificava a importância da união da classe médica, criando condições para se avançar no debate entre médicos brasileiros e estran-geiros, visando promover o progresso e o desenvolvimento das ciências médico-cirúrgicas. Esse congresso representou a primeira realização de um debate mais amplo sobre as questões de saúde no Brasil e, portanto, legitimou uma instituição médica e científica independente do Estado.

No ano de 1889, na ocasião da instauração da República, a Sociedade já era reco-nhecida e apresentava como grande preocupação o tratamento da febre amarela, que dizimava a população do Rio de Janeiro. A busca de soluções para a epidemia mobilizou os médicos em torno da SMCRJ, que se destacou como um espaço para o debate do problema. Dentre as atuações da Sociedade, também se destacou no combate à gripe espanhola, em 1918, realizando atividades voltadas para saneamento, pesquisa e tratamento.

Em 1918, a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro passou a ter sede própria, localizada na Rua Mem de Sá, nº 197, onde funciona até hoje.

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