PUSKAS, O HERÓI GORDINHO

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Jogador (no centro) foi sensação dos anos 50

O húngaro Ferenc Puskas já foi até chamado de gordo, mas, ainda assim, foi considerado por muitos o melhor jogador do mundo no começo dos anos 50. Sua marca de 83 gols em 84 jogos de seleções nunca foi superada. Nascido em 1927, Puskas liderou a Hungria numa série de vitórias no período pós-guerra. Foi para sua equipe que a Inglaterra perdeu pela primeira vez em casa para um time de fora das ilhas britânicas. O placar: 6 a 3 para a seleção húngara. A fatídica derrota inglesa foi até parar no cinema, 45 anos depois, com um filme do diretor Peter Timar, sugestivamente intitulado “6:3”.

Baixinho

Antes do jogo um torcedor inglês teria dito: “Veja aquele cara baixinho gordinho. Vamos acabar com o bando dele”. Não acabaram. E o “baixinho gordinho” fez dois gols. Puskas só chutava com um pé e era mau cabeceador. Dificilmente poderia ser chamado de atacante completo. Mas, mesmo longe do gol, seu chute com o pé esquerdo era preciso e devastador.

Apesar de toda a habilidade, Puskas teve a carreira prejudicada por dois fatores: a derrota da Hungria, por 3 a 2, na final da Copa de 1954, e seu exílio, dois anos depois. Puskas chegou a marcar um gol na decisão de 54 contra a Alemanha. Mas não foi o suficiente. Seu desempenho foi claramente afetado pela contusão que o havia deixado de fora das duas partidas anteriores. Ele havia se machucado com uma falta de Werner Liebrich, em outra partida do Mundial contra Alemanha, vencida pelas húngaros por 8 a 3. O futebol da Hungria nunca mais se recuperou.

Exílio

O ex-herói foi hostilizado na volta para casa. Depois do levante de 1956, mudou-se para Viena. Foi, então, que ele foi proibido de jogar por 18 meses. Puskas acabou mais tarde no Real Madrid, onde formou com Alfredo di Stefano uma das duplas mais bem-sucedidas de todos os tempos. O húngaro fez 35 gols em 39 partidas do campeonato europeu e ajudou duas vezes o Real Madrid a vencer o torneio. Na decisão de 1960, fez quatro gols contra o Eintracht Frankfurt — façanha que nenhum outro jogador já realizou. Resultado: 7 a 3 para o Real Madrid. Em 1962, aos 35 anos, ajudou outra vez o time a vencer o campeonato europeu, com três gols contra o Benfica em partida que terminou em 5 a 3.

Naturalizado espanhol, Puskas atuou pela Espanha na Copa de 1962. O time, porém, foi o último colocado de sua chave. Puskas continuou a jogar no Real Madrid até 1966, quando pendurou as chuteiras para começar a carreira de treinador. Sob seu comando, o Panathinaikos, da Grécia, chegou à final da campeonato europeu em 1971. Perdeu, contudo, para o Ajax por 2 a 0. Em 1993, Puskas finalmente foi autorizado a voltar para sua terra natal. Em seguida, trabalhou com a seleção húngara nas eliminatórias da Copa dos Estados Unidos. O time não se classificou, mas pelo menos um grande herói havia sido perdoado.

Quando ele surgiu, ninguém nunca havia visto tanto controle e talento.
No seu tempo, era o maior do mundo. (Bobby Charlton)

Puskas:
Nascimento: 2.4.1927
Partidas pela seleção: Hungria 84, Espanha 4
Gols: Hungria 83, Espanha 0
Clubes: Kispest, Honved, Real Madrid.

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