FATOS E LENDAS DE CAXAMBU

Da revista “Fontes da Vida” ed. Julho de 1962

Os antigos contam, uns como lendas enquanto outros afirmam a veracidade dos fatos, que abriram o caminho do progresso desta cidade, com a descoberta das águas, narrando que alguns camaradas da Fazenda das Palmeiras, de propriedade de D. Luiza Francisca Sampaio, à procura de alguns cavalos desaparecidos, vieram dar no sopé do Morro, e penetrando na mata, viram jorrando pelo lamaçal uma mina d’água. Como estivessem com muita sede pela grande caminhada que fizeram até ali resolveram mitigar a sêde, e ao bebê-la, notaram o seu diferente sabor com muito espanto, admirados voltaram à fazenda levando aquela notícia, que logo se propagou por todo o Município de Baependi e dali para outras paragens.
Entretanto outros já contam diferente. Dizem de dois carpinteiros da Fazenda do Caxambu, à procura de um cedro, penetraram na mata, e descobrindo um de proporções adequadas ao seviço que empreendiam, resolveram derruba-lo. Entretanto ao deslocar as sua raízes, começou por entre as terras ali deixadas, jorrar uma corrente d’água turva que logo se transformou na mais pura e límpida corrente.
Enquanto desgalhavam o cedro sentiram sede e, ao provar da água notaram igualmente o sabor diferente e espantados, correram à fazenda levando a notícia da descoberta.
Não podemos afirmar essa ou aquela, seja a versão correta, e quanto à época podemos dizer que tais fatos ou melhor essas ocorrências, se deram mais ou menos pelo ano de 1813, embora o Escritor José Alberto Pelúcia em seu livro “Baependy” faça referências às recordações de Teixeira Leal, que em 1842 já dizia que as águas eram conhecidas desde 1762 ou 1772.
Quanto a essa suposição não possuímos documentários nem informações concretas no que se refere às <recordações de=”” teixeira=”” leal=””>.
Podemos como marco inicial de Caxambu, hastear uma bandeira em 1748, quando Estácio da Silva, solicitou ao bispado de Mariana licença para a construção de uma capela nos terrenos onde morava.
Em 1814 quando começaram a surgir as primeira notícias do descobrimento das águas minerais, ainda não possuía nenhuma casa nas proximidades das minas, que somente em 1844, começaram a surgir graças aos trabalhos de Felício Germano de Oliveira Mafra, que com dedicação e esforço desbravava o matagal existente e procurando descobrir novas fontes, cujas águas de efeitos medicinais, vinham chamado a atenção dos enfermos, que para aqui convergiam às dezenas, em busca de cura para seus males.
Graças a esse toque inicial impulsionado por Oliveira Mafra, uma nova era descortinou-se de progresso ininterrupto para este vale, para mais tarde vir a tornar-se a Hidrópolis mais querida e mais simpática ao povo brasileiro. Em 1841, em vista das notícias propagadas, da existência de “águas santas e miraculosas” para aqui chegavam diariamente pessoas com doenças as mais diversas em busca de cura. Foi notada uma grande quantidade de enfermos de Mal de Hansen, e em vista disso a fim de evitar o contagio, o Meritíssimo Juiz da Comarca de Baependy, Dr. Aleixo Teixeira de Carvalho, mandou intimá-los a deixarem o vale no prazo de 48 horas.
Mafra descobriu 4 fontes, sendo a primeira fonte que Caxambu possuiu, segundo nos afirma o Dr. Henrique Monat, foi extinta, devido a uma grande quantidade de cascalho que, contra a vontade de Mafra, foi depositadas por cima dela, pois pensavam eles que a água mais suja tinha maior poder de cura. Ate hoje não sabemos dizer onde existiu esta fonte. As 3 outras foram D. Leopoldina, D. Pedro e D. Isabel.
Embora, desde essa época começasse a afluir gente em busca de curas, o local desenvolvia-se lentamente e assim é que Nogueira Penido, citado pelo Dr. Monat, dizia: “Em 1852, quando ali fui pela primeira vez não existia nenhuma casa, e andei pelo brejo e matas procurando as fontes”.
Em 1861 somente, é que se foi estendendo verdadeiramente a sua fama, e foram as fontes desapropriadas pelo Governo da então Província de Minas Gerais, e a 16 de novembro de 1875, foi então criada a freguesia de N. S. dos Remédios de Caxambu.
Somente em 16 de setembro de 1901 é que foi criado o Município e Vila de Caxambu, desmembrando-se então de Baependy.
Em 2 de janeiro de 1905 foi instalada a Prefeitura passando o Município a ser administrado por um Prefeito nomeado pelo Governo do Estado, e a 18 de setembro de 1915 foi criado o termo judiciário, recebendo assim a categoria de cidade. Até 1947 foi administrativamente governada por Prefeitos nomeados pelo Estado e, em virtude da nova constituição, a partir de 31 de janeiro de 1948 a administração de Caxambu esta sendo exercida por prefeitos eleitos pelo povo do município.
Foi eleito nessa ocasião o ilustre médico Dr. Lysandro Carneiro Guimarães.
A Comarca foi instalada em 15 de novembro de 1948, tendo sido nomeado Juiz o Dr. Orlando Lopes Coelho que aqui permaneceu até sua promoção, no início do ano de 1956.
Entre os freqüentadores ilustres que visitaram esta estância nos primeiros tempos, destacamos o Padre Joaquim Camilo de Brito vigário de Barbacena, 1849; o Padre Corrêa de Almeida cujo nome foi dado ao Grupo Escolar local, o Duque de Caxias, Teófilo Benedito Ottoni, e em 1868 aqui estiveram a Princesa Isabel e o Conde D’Eu. Os nomes das fontes com denominações dos membros da família imperial, advêm da época.

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